Etrevista com Carlinhos Fonseca para o jornal “Correio de Mirassol”
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Matéria publicada no jornal “Correio de Mirassol" em 24 de março de 2005-04-13
Uma educadora apaixonante, assim vou chamar minha entrevistada desta semana, pois ela tem uma vida dedicada a ensinar e, mais que isso, ao se deparar com as dificuldades, criou seu próprio método, o qual, gradativamente, vem sendo reconhecido em todo o Brasil e noutros países. Vamos conhecer um pouco da vida de Cleunice Orlandi de Lima.
1- CF: Como e onde transcorreu sua infância?
R: Minha infância foi longa nos episódios ruins e curta nos bons eventos. Eu diria, pois, que ela foi pequena demais. Houve altos e baixos – mais baixos do que altos – mas as crianças parecem não notá-los e são felizes.
Nasci em 43 e morei até os 2 anos nos arrebaldes de Junqueira, meu povoado natal. Daí, vivi em Potirendaba até os 7 anos. Cedral foi a cidade onde passei a parte mais saborosa da infância. Vim para Mirassol em 57 com 14 anos, e aqui estou desde então.
2- CF: A senhora tem uma vida inteira dedicada à educação. De onde vem esta paixão?
R: Não sei, acho que nasci com ela. Lá em Potirendaba, antes ainda de ser alfabetizada eu já brincava de escolinha, já sonhava ser professora; rabiscava as paredes com carvão ensinando alunos invisíveis a ler, escrever e fazer continhas. Depois, enquanto estudante, todos os meus esforços foram direcionados para o objetivo de aprender a ensinar. Imagino que tenha nascido só para estudar, escrever, pintar e lecionar. Mais nada, porque poucas coisas além destas atividades têm merecido minha atenção.
3- CF: Cite os lugares onde lecionou.
R: Comecei no Edmur, como substituta. Lecionei na Fazenda Henrique Curti, nas Três Barras e na estrada para Mirassolândia.
Depois me efetivei e saí em andanças por escolas rurais e cidadezinhas distantes, padecendo horrores. Só pra dar uma idéia de como era sofrida a vida de professora, preste atenção: todos os dias, inclusive aos sábados, eu tomava o trem das 3,15h da manhã e ia até Votuporanga. Lá, tomava um táxi com outras colegas e ia lecionar em S. João da Boa Vista. Retornava de táxi até Votuporanga, tomava o ônibus que ia para Rio Preto, mas não entrava em Mirassol. Eu apeava na rodovia e vinha a pé, atingindo a casa por volta das 6 da tarde. Chegava morta de cansaço e tinha criança pequena pra cuidar, casa a atender, jantar a ser feito, aulas a preparar. Ia dormir tarde da noite, para acordar de madrugada e tomar o trem das 3,15 outra vez... Isso, eu estava grávida.
Dei aulas também em Urânia, Santa Albertina, S. João do Itaguaçu e Macaubal. Depois vim para o Lauro Rocha, onde atuei por 10 anos até me aposentar, em 91. Dei aulas de Artes no Colégio S. Paulo, lecionei Redação na FEM, ensinei Estudos Sociais, Geografia e Sociologia no Anísio. Em Rio Preto, trabalhei no Felício Miziara, como bibliotecária. Nesta época, criei um método de Biblioteconomia. Atuei como diretora no Bartyra, no Lauro e em Ruilândia.
4- CF: No passado, o professor era muitíssimo respeitado, era o grande ídolo das crianças. Na sua opinião, o que fez mudar isso?
R: Só é respeitado quem tem dinheiro, ou cultura. No passado, o professor tinha ambas as coisas: o salário era invejável e quanto aos conhecimentos, ele era obrigado a ter – ou então, não era professor.
Veja meu caso: para fazer o curso de professora, fiz cursinho e prestei vestibular dificílimo, como se pleiteasse vaga na faculdade de medicina! Depois de passar no vestibular, aí é que começava o estudo de verdade. Eu estudava lavando roupa, estudava passando roupa, estudava limpando a casa. Na cozinha havia um prego na parede onde eu pendurava o caderno e, enquanto lavava a louça, ia lendo em voz alta. Tomava comprimido de Pervintin para não sentir sono, passava as noites debruçada nos cadernos. Tudo isso, para ser professora! Depois, tinha de passar no concurso, se quisesse lecionar. A professora primária sabia tanto quanto sabe hoje um doutor em Educação.
Atualmente, não se proporcionam conhecimentos à futura professora, nem se exige que ela tenha cultura. Talvez por isso seu salário seja tão modesto. Sem dinheiro e com pouco saber, o desrespeito é conseqüência.
5- CF: Buscando alternativas de alfabetização, a senhora criou o método “Professora de Papel”. Em que consiste este método?
R: São 75 histórias que ensinam desde a primeira vogal, até a última dificuldade própria do estágio de alfabetização. A professora ensina contando histórias e o aluno interioriza os conteúdos para nunca mais esquecer. (Ah! A palavras “história” é com h. Não existe mais a “estória” há mais de 30 anos e há muita gente que não sabe disso.)
A inovação do método são as historinhas e o uso da fonética para alfabetizar. A fonética é tratada sem teorias, sem nomes complicados, sem palavrório desnecessário. Tudo prático, tudo fácil para qualquer pessoa ler, entender e usar.
6- CF: Como e quando ele surgiu?
R: Foi em 84, quando eu lecionava no Lauro Rocha. Aconteceu numa sala com 23 alunos daqueles! Estavam tentando aprender a ler há mais de 3 anos e não reconheciam ainda as 5 vogais. Ambos os métodos da época eram insuficientes para alfabetizar aquela turma e foi quando coloquei em prática algumas idéias. Comecei a contar histórias e as crianças começaram a aprender! Aprenderam tanto, que até pensei que estivessem me enganando, só pra me agradar. Mas, é impossível fingir saber o que se ignora; eles estavam aprendendo, de fato. As professoras da minha escola começaram a ajudar na experiência e, impressionadas com os resultados, passaram a comentar com outras colegas. Estas outras quiseram experimentar e, vendo os efeitos incríveis, passavam a notícia a professoras de outras cidades. Assim, o círculo foi sendo aberto e começou a chover pedidos de todos os lados. Em 87 tive de fazer a primeira impressão, pois não dava conta de datilografar e mimeografar para tanta gente. Depois veio a segunda impressão e chegamos a fazer mais de uma edição num só ano.
Algumas professoras quiseram orientações mais profundas e comecei a dar palestras onde me solicitavam. Acompanhada pelo Otávio, eu saía em viagem atendendo a convites. Dei palestras em mais de 400 cidades de 7 estados. Só em Guarulhos, ministrei 57 palestras.
O método se alastrou sozinho, sem propaganda, boca a boca, abrindo o leque naturalmente. Hoje está na Internet, acessado todos os dias por professores do Brasil e do exterior, mas, até chegar aqui, a gente suou bastante.
7- CF: Tudo o que é novo sofre resistência. Este método também sofre?
R: Sim, mas prefiro não comentar. Só vou deixar registrado que uma autoridade educacional desta cidade proibiu terminantemente minha entrada nas escolas de Mirassol.
8- CF: O método é utilizado em muitos estados brasileiros e, inclusive no exterior. Como ele ganhou novas fronteiras?
R: No Brasil, está em todos os estados e, há uns anos, entrou na listagem do Governo Federal. Depois, tivemos de retirá-lo da lista, porque não tínhamos dinheiro para atender às solicitações do Ministério de Educação. Foi na época em que os juros andavam pelos 60% ao mês e o MEC demorou 4 meses para nos pagar. O Otávio teve de vender caminhão, caminhonete, cavalo e outras coisas para pagar o banco.
Noutros países há colônias de brasileiros, cujos filhos precisam aprender nossa língua. Procurando na Internet, encontram o “Professora de Papel”. Gostam e fazem o pedido. Além do Brasil, este método já está na Itália, Portugal, Estados Unidos e Japão.
Quero registrar que, através do telefone, eu socorro alfabetizadoras de qualquer parte do Brasil. Elas ligam perguntando, por exemplo, como fazer a criança escrever calma, e não cauma. Ou então, como ensinar a colocar o m antes do p e b e o n antes das consoantes. Desconheço outro autor que se mistura aos seus leitores, ou lhes tira dúvidas pessoalmente. (Tocando no assunto, você sabe por que se usa m antes de p e b? Não? Pois o “Professora de Papel” é o único que traz esta informação.)
9- CF: Outra grande façanha é poder alfabetizar pessoas com alguma deficiência. Fale-nos sobre isso.
R: Em Rio Preto, na classe da Profª Dalva, da Escola “Antonio de Barros Serra”, a primeira aluna deficiente auditiva (Daniela Ludin) aprendeu a ler, escrever e falar com o uso do método. No ano seguinte, na mesma escola, foi a vez da Profª Nilda passar pela experiência, com aluna também surda. Na Escola Índia Vanuire na cidade de Tupã, uma classe inteira de adultos surdos aprendeu a ler e escrever com o uso deste material. Por causa da fonética, há fonoaudiólogas que adotaram o método nos seus consultórios para crianças com dicção difícil e deficientes auditivos. E, para falar a verdade, eu nem sabia que o método era capaz de alfabetizar deficiente auditivo!
O método, por ter nascido em classe de alunos lentos no aprender, consegue alcançar crianças com debilidade mental leve, tendo sido introduzido em classes de APAE. Veja que interessante: em 87, no Anísio Moreira, 3 alunos destinados a classe de Deficientes Mentais aprenderam de tal forma, que passaram, direto, da primeira para a terceira série!!! A lei existia e já estava em vigor, mas foi a primeira vez que a vi sendo aplicada.
Este outro fato que vou relatar aconteceu não com deficiente, mas com criança pequena: Lá no Lauro Rocha, a Profª Ciderlei tinha uma aluna que, depois da aula, brincava de escolinha com a irmã de 5 anos. Na brincadeira, ela repetia o que havia aprendido em classe: contava a historinha, ensinava a forma e o som da letra; ensinava a juntar letrinhas e sílabas formando palavras. Assim brincando, a menina de 7 anos residente na zona rural, alfabetizou a irmã, que nunca havia entrado numa escola!
Um método que ensina deficiente auditivo, deficiente mental e faz criança de 7 anos alfabetizar como se fosse professora de verdade merece respeito, não é mesmo?
10- CF: Qual o futuro que a senhora vislumbra para seu método de alfabetizar?
R: Só Deus sabe. Acredito firmemente que Ele encaminhará este projeto, uma vez que o “Professora de Papel” é obra Dele. Não creio que Deus deixará sem destino uma metodologia tão incrivelmente capaz.
11- CF: Definitivamente, a senhora não pára nunca. Atualmente, está trabalhando num projeto que alfabetiza adultos.Por que ensinar adultos, se já escolas para este fim?
R: Não estou criando projeto de alfabetização para adultos, que isso já existe. O que estou criando é um programa de alfabetização para idosos, que isso nunca existiu. O nome é Projeto PLIM, que significa: Primeiras Letras na Idade Madura.
Percebi que os velhinhos são negligenciados no país inteiro por políticos e pela sociedade, que se preocupam com as crianças mas relegam ao desprezo os idosos. Analise comigo, tomando Mirassol como exemplo: Crianças e jovens podem escolher entre 14 escolas: Edmur, Lauro, Tufi, Bartyra, Genaro, Cândido, Anísio, Iria, Darcy, Wilson, Lúcia, Matheus, Matiel e Ruilândia. Aulas de manhã, tarde e noite, transporte, merenda, uniforme, agasalho, calçado, mochila, material didático. E escolinha de esporte, projeto, creche, pré. Quadra, biblioteca, dentista, computador, televisão. Tudo bem aparelhado, ventilado, acortinado, ajardinado, embelezado, informatizado.
Nada contra. São conquistas legítimas, indispensáveis e contraídas no percurso de longos anos de desconforto, lutas e espera.
Os adultos têm menos: curso só à noite no Cândido e no Lauro, deixando outros bairros desguarnecidos de recursos congêneres.
Mas aos idosos, nem isso! Nenhuma escola, nenhuma sala de aula, nenhum nada! O que nossos velhinhos têm é o asilo e o cemitério. Só! Nenhuma lembrança por parte dos governantes, nenhuma citação de prioridade, nenhuma obra que lhes seja destinada! A eles, coisa alguma! Há bairros que chegam a distar vários quilômetros da escola mais próxima, sendo que os alunos adultos necessitam vencer a distância a pé, para participar de uma aula nem sempre compensadora.
E há tantos idosos querendo ler!
12- CF: No que consiste este projeto?
R: Os velhinhos não podem freqüentar classe de adultos comuns, que há diferenças enormes entre idosos e adultos comuns:
1- Adultos comuns podem sair de casa à noite; os idosos, não. Estes têm reumatismo, tosse, bronquite, artrite, artrose, vista curta, dor nas costas. Precisam estudar de dia, com o calor do sol para não lhes piorar as dores.
2- Adultos comuns precisam de Matemática, Geografia, História, Ciências. E os idosos se contentam com aprender a ler e escrever.
3- Adultos comuns podem caminhar bastante até a escola. Os idosos não conseguem andar muito. Sim, poderiam vir de ônibus. De graça, até! No entanto, têm dificuldade em subir e descer os degraus, com altura sempre superior às suas forças.
4- Adultos comuns aprendem com maior facilidade. Os idosos, porém, precisam de tempo maior para aprender as mesmas coisas. Na mesma classe junto a jovens e adultos comuns, eles ficariam para trás, na turminha dos “atrasados”.
5- Adulto comum precisa de carinho, mas o idoso, muito mais. E carinho é uma das coisas que nosso grupo de professoras está capacitado a doar. No entanto, sei de professoras de adultos que ganham para ensinar, mas que não ensinam. Elas tratam seus alunos aos gritos, sem o menor respeito; chamam-nos de burros quando fazem alguma pergunta; só mandam copiar e não corrigem cadernos. Uma professora assim jamais seria aceita no nosso grupo.
Tendo em vista tantas dificuldades para que os da terceira idade consigam aprender, idealizei um projeto que os atenda em todos os sentidos e com muito amor: um núcleo de ensino em cada bairro, aulas durante o dia e ensino somente de leitura e escrita. Este, em resumo, é o Projeto PLIM.
13- CF: Quantas classes de alfabetização de idosos foram formadas e onde se localizam?
R: Somos 13 professoras voluntárias. Nossa recompensa está sendo a felicidade que vemos nas fisionomias de nossos alunos.
Veja quem somos e onde estamos atuando: Profª Lair e Ana Maria, no Bairro Souza; Profª Edna, na Cohab II; Profª Graziela, na Vila Vicentina; Profª Joseppina, no Santa Rita; Profª Regina, no Beija-Flor; Profª Sirlei, no Centro; Profª Ruth, em Ruilândia e, finalmente, Profª Susana e eu, no São Bernardo. Temos ainda uma substituta: Profª Dalva.
Nosso grupo tem algumas aposentadas. Outras são recém formadas à procura de experiência; outras ainda são estudantes de Pedagogia, à procura de enriquecer conhecimentos. São todas heroínas e sinto enorme gratidão por estas companheiras. Que Deus as pague!
14- CF:Sabemos que estas classes muitas vezes são freqüentadas por pessoas carentes. Como tem feito para conseguir material?
R: O Departamento de Educação e o Fundo Social de Solidariedade vão assumir as despesas com livros didáticos, cadernos, lousas e demais artigos escolares. Agora, porém, estamos passando por dificuldades. Na medida do possível, nós mesmas já adquirimos algum material, mas não temos meios para manter nossos alunos equipados. O que temos feito é sair com chapéu na mão e, graças a Deus, estamos conseguindo algum material básico. Estamos com mais ou menos 100 alunos precisando de lápis preto, lápis vermelho, lápis de cor, régua, borracha. E nós, professoras, necessitamos de apagador, giz branco e giz colorido. Se algum leitor puder nos ajudar...
15- CF: Com toda a sua bagagem, qual sua avaliação da educação hoje?
R: Nunca se viu tantos alunos de séries adiantadas sem saber escrever. Nem se viu tantos alunos de 8ª série alfabetizados pela metade.
A História é circular e se repete. Situação semelhante já aconteceu e pouca gente lembra disso: No finzinho da década de 50 apareceu o Método Globalizado, que foi bem recebido pela beleza da sua teoria. Tudo o mais foi deixado de lado e abraçou-se o Globalizado. Só se falava Globalizado, só se estudava Globalizado. Desapareceram as cartilhas “Sodré” e “Caminho Suave”, dando lugar a “Upa, cavalinho” e “Eu sou o Dudu”. Como conseqüência o ensino decaiu, a meninada não conseguia mais aprender a ler e escrever. E, em 1970, as autoridades tiveram de optar: ou criavam lei que aprovava analfabeto, ou a escola deixava de existir! E nasceu a lei de aprovar analfabeto!
Depois de quase 20 anos de desastre promovido pelo Globalizado, as próprias professoras foram remexer nos baús em busca das velhas cartilhas, em busca de renovar a escola através do antigo. E a educação voltou aos antigos padrões, porque só existe ensino de qualidade quando o aluno sabe ler e escrever. De nada adiantam as belas teorias, se na prática nada se ensina, nada se aprende. De nada adianta ao aluno saber política, MST, greve, guerra, eleição, se não lhe ensinam a escrever. De nada adianta o conforto nas salas de aula, se não houver bom método de ensino adaptado às crianças – e não para encher o ego das autoridades.
Agora, outra vez impera a ignorância entre os alunos e foi preciso ressuscitar a velha lei. Ela veio com nome charmoso: “aprovação automática”, mas é a mesma lei que aprova analfabetos, pela total incapacidade no ensinar.
16- CF: A senhora também é escritora. Fale um pouco sobre suas obras.
R: Meu primeiro romance foi escrito aos dez anos, quando morava em Cedral.
Fui a primeira mulher brasileira a publicar na Revista americana Seleções do Reader’s Digest, para 84 países, em 13 idiomas.
Sou autora de 3 livros didáticos da: “Série Historiada Professora de Papel”, com endereço: www.professoradepapel.com.br.
Escrevi o “Festa na Escola”, o “Depois do suicídio...”, o “Depois do aborto...” eo paradidáticohumorístico “O guarda- noturno”.
17- CF: Fale da importância da família na sua vida.
R: Eu conto com a participação de todos para dar continuidade ao negócio. Cada um tem uma função e vamos por partes:
Sem a participação do Otávio, eu não teria chegado aqui. Foi ele o grande incentivador dos meus estudos, isso quando a gente ainda namorava. Depois de casados, ele segurou as pontas para que eu seguisse em frente lecionando e fazendo uma faculdade atrás da outra. Foi ele a sustentação em todos os meus apuros e, quando fiz o método de alfabetização, ele se endividou nos bancos para pagar a gráfica e as despesas todas. Depois, foi companheiro nas viagens de palestras, durante 16 anos. Atualmente, anda adoentado e não está mais podendo me acompanhar nas viagens. É o Otávio também quem recebe os pedidos de livros através do telefone.
O Adolfo, genro e quase filho, fez o site e cuida dele, atualizando-o quando necessário. Recebe os comprovantes dos pagamentos de livros através de fax. A Nicinha, minha filha, é quem recebe os pedidos de livros da Internet, despacha as encomendas, cuida da minha conta no banco, das dívidas e dos pagamentos. O meu filho Otavinho vem me acompanhando nas viagens, no lugar do Otávio; muito brevemente, ele estará formando uma equipe de vendas.
Sem a família, seria impossível dar seqüência aos projetos, ao método de alfabetização, aos livros didáticos.
18- CF: Deixe uma mensagem aos nossos leitores.
R: Quando a gente enfrenta uma força contrária muito grande, o melhor é não lutar contra. Se a força contrária for muito grande, mas muito grande mesmo, ela não tem equilíbrio para se manter em pé e ruirá por si. Aí, a gente passa livremente.
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